
“Inexplicável, como é inexplicável Cristo pendente na Cruz. Como é inexplicável, uma jovem deixar TUDO para seguir unicamente a Cristo: se a vocação religiosa fosse explicável, seria apenas humana. Como é inexplicável, deve ter algo divino, e será um mistério, que não se explica, mas se aceita ou se nega.”, trecho do livro “A inexplicável Merloni” de Afonso de Santa Cruz.
A vocação, para os cristãos, vai além do que apenas um talento, é um chamado de Deus para um caminho religioso, que é atribuído para desempenhar funções na missão da construção do seu Reino.
A vocação, para os cristãos, vai além do que apenas um talento, é um chamado de Deus para um caminho religioso, que é atribuído para desempenhar funções na missão da construção do seu Reino.
As Apóstolas são vocações femininas, como rastros de luz, continuam a obra iniciada por Madre Clélia Merloni, que vivia intensamente a mística e a espiritualidade do amor ao coração de Jesus. Junto ao sacrário, passava as mais belas horas de sua vida. Seu anseio era levar a ternura desse Coração a todos, especialmente aos pobres, aos oprimidos e aos infelizes. Distingue-se pela caridade, humildade, simplicidade, pureza e ilimitada confiança em um Deus só. Com a sua vida revela que a caridade é a pérola mais preciosa do Instituto.
Nadir dos Santos, seguindo o exemplo daquela que foi serva, escolheu a sua própria vocação de apóstola da igreja, quando tinha apenas 13 anos, e atualmente atua como freira há 19 anos. “É um chamado muito bonito e a minha vocação eu só tenho agradecer, pois estou muito feliz.” reflete Ir. Nadir.
Desde pequena ela já dizia para a mãe que não queria se casar, mas como não conhecia as religiosas falava que gostaria de ser professora, e sua mãe brincava dizendo que professoram se casam, e para ela só se casavam se quisessem.
Quando fez treze anos, conheceu um seminarista que a convidou a conhecer as religiosas, e a partir disso, Ir. Nadir começou sua caminhada. Seu discernimento vocacional se deu dentro da congregação, onde conviveu bastante com as outras irmãs, e pode estudar mais sobre sua vocação.
“Hoje eu vejo que o meu discernimento vocacional se deu mesmo durante o meu processo de formação, eu entrei em 1978 e em 1988 eu fiz o primeiro voto, sempre junto com as irmãs em duas comunidades. Eu entrei pro Paraná e fiquei dois anos, depois fiquei em São Paulo, onde iniciei o processo de formação, fiz o postulado, o noviciado, o juniriato e em 1994 eu fiz o voto perpétuo.”, declara Ir. Nadir sobre sua formação.
Ir. Nadir, não teve tempo de namorar, pois como declarou Jesus lhe “catou” antes, e na própria vocação, é necessário deixar de lado o que causa prazer, já que é uma dedicação única e somente a Deus.
Seus pais, em momento algum, se opuseram a sua escolha, apenas seu pai achou que estava muito cedo para ela tomar essa decisão. No entanto, seu avô se opôs um pouco por ela ser a única filha de quatro filhos, que deveria cuidar de sua mãe na velhice, e dependendo dele, ela não iria seguir a vocação.
Os anos passarão e ela já tinha se tornado uma irmã, e para surpresa dela, seu avô ficou muito satisfeito por ver que ela estava feliz, seguindo a Deus. “Meus tios e minhas tias também são felizes por ter uma sobrinha religiosa e meus irmãos até abusam. Tem um irmão que brinca que não vai à missa, porque tem um cunhado que vai favorecê-lo, mas vai esperando se ele não fizer a parte dele.” , diz Ir. Nadir.
Nadir sempre foi firme em sua decisão, e nunca teve dúvida se era realmente isso que queria. Ela teve muita dificuldade por sair de casa, já que todos os dias viajava cerca de 6 horas para o colégio. Ao chegar lá, era a caçulinha com 13 anos e a mais velha tinha 27 anos, de um grupo de 25 garotas. Ela declara que os primeiros dias foram angustiantes porque nunca tinha saído de casa para dormir fora. “A saudade foi muito grande dos meus pais e dos meus irmãos. O caçula tinha um ano e meio e eu era como uma babá pra ele, foi muito triste deixá-los. No feriado de abril, eu passei alguns dias em casa, e amenizou um pouco, depois todas as férias eu ficava com a minha família.”.
A primeira exigência da vocação é ter que abandonar o lar, para se dedicar a Deus e a missão, é uma espécie de casamento, porque quando se casa tem que deixar a família para morar com aquele que vai ser escolhido.
“A vida religiosa me cativa muito, o aspecto missionário imprevisível, de estar aqui ou em outro lugar, e também o desejo grande de estar no exterior para fazer alguma coisa. Eu sempre falo que quero ir para as Filipinas, mas qualquer lugar que o instituto precisar de mim eu estou disposta.”, desabafa a irmã que já mudou 20 vezes, e até hoje está muito feliz, mesmo não se adaptando no começo.
Nadir é uma irmã muito comunicativa e amiga, e tem bastante facilidade de se relacionar com outras pessoas. Ela trabalhou cinco anos com dependentes químicos, em que achava que não ia dar conta, trabalhou também em hospitais e colégios. Hoje, se dedica a formação de novas irmãs, o que a empolga a se doar cada vez mais.
“Vejo que a vida religiosa não é para a gente é para o mundo, pois onde precisar, a religiosa estará ali para levar a Deus e ser presença. O nosso carisma chama muita atenção, porque nós temos que ser apóstolas como os apóstolos, no campo missionário e na evangelização. Depois uma apóstola reparadora para repor amor onde não tem amor, e assim levar o amor de Deus para os necessitados. Sem amor na vida nós não alcançamos nada, e o amor de Deus é um amor sublime, não é esse amor que às vezes você dá de pressa, hoje eu amo, amanha eu não amo mais, se a pessoa ama, ela ama pra sempre.”, reflete Nadir sobre sua missão.
Formada em Psicologia, a irmã Nadir, trabalhou antes em vários colégios, e hoje segue sua carreira de psicóloga e formadora. Ela lembra que foi desrespeitada uma vez por uma garota de mal com a vida, que não queria nada com religião. Na época, Nadir era professora de ensino religioso, e essa menina a criticava por não aceitar as aulas. Na sua opinião, hoje em dia, “as irmãs são muito valorizadas, e os próprios pais as respeitam bastante, tem uns que lembram da época que estudaram em colégio religioso. De vez em quando, tem aqueles que não respeitam, mas não respeitam é ninguém, porque vem da formação que os próprios pais dão.”
Segundo os especialistas, a cada três jovens, um é chamado pra vida religiosa, tanto sacerdotal, como pra feminina, e de acordo com a Ir. Nadir, se a cada três jovens, um é vocacionado para igreja, olha quantos não respondem, porque não tem estimulo, ou tem certos preconceitos.
Para a irmã Nadir, a igreja investe muito na pastoral vocacional, mas se alguém chegar a um grupo jovem, convidando a participar de um encontro vocacional, muitos vão questionar, porque não querem ser padres e nem irmãs, assim falta clareza de que o encontro vocacional é para ver as demais vocações.
Os jovens que resolvem se casar, ou até mesmo decidem em não ser religioso, estão seguindo uma vocação. Na primeira é a do matrimônio, que para Nadir, não esta sendo tão valorizada hoje em dia, pelo fato das pessoas se casarem e logo depois se separarem tão rápido, e a segunda é a vocação dos leigos que não freqüentam a igreja, e nem querem se casar, mas é ao mesmo tempo o homem da Igreja no coração do mundo e o homem do mundo no coração da Igreja. Ele está sempre questionando o conjunto da Igreja com suas experiências de participação nos problemas, desafios e urgências do mundo secular.
A jovem que demonstrar desejo sincero de doar-se a Deus, ter saúde física e psíquica que lhe permita viver harmoniosamente na comunidade, ter suficiente preparação cultural básica, já esta encaminhada a vocação, e é necessário se dedicar para se tornar uma Irmã.
Nadir acredita que “vocação acertada é futuro feliz, e quando a pessoa é feliz em sua vocação com certeza ela acertou. O ideal seria que Deus aparecesse para gente e falasse - Nadir você tem que ser irmã! – Não, Deus não aparece, essa é a busca que o jovem tem que ter, assim como escolhem a sua própria profissão.”
Nadir acredita que existem pessoas que negam a existência de algo superior, e questiona “tem como você negar a existência de alguém superior, ao olhar para esse mundo maravilhoso? Não tem! A própria vida e a natureza pedem um superior. Pra essas pessoas que na acreditam, eu daria a oportunidade de conhecer, pois não precisa ser católico para ser santo basta à vontade do saber.”
A irmã Nadir com a santidade de sua vida, quer contribuir para despertar nos corações o desejo de Deus, e mostrar, com a caridade que a impele, o rosto da bondade, da misericórdia, da compaixão do Pai por todos os homens, de modo que eles sintam o seu Deus bem próximo de si.
Atualmente Nadir mora nos aposentos, do Colégio Sagrado Coração de Maria na 615 sul, onde acorda todos os dias às cinco horas da manhã, para fazer suas obrigações, como ir à missa, rezar, ajudar os outros e até mesmo tricotar um pouco.
Nadir é uma irmã solidária de Deus e de todos da sociedade. Ela vive uma vida de escolha própria, em que ela mesma fez questão de estar se dedicando a Deus, tendo apenas dez dias do ano para ver a sua família.

Um comentário:
Hello. This post is likeable, and your blog is very interesting, congratulations :-). I will add in my blogroll =). If possible gives a last there on my blog, it is about the Impressora e Multifuncional, I hope you enjoy. The address is http://impressora-multifuncional.blogspot.com. A hug.
Postar um comentário